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Lula
veta reajuste de servidores da LDO 2006
O
Presidente Lula vetou o artigo 90 da Lei de Diretrizes Orçamentárias
- LDO, que previa reajuste linear para todos os servidores
em 2006. O índice seria de cerca de 4%, com impacto
financeiro de R$ 1,9 bilhão. Quais os argumentos?
No
Diário Oficial, Lula alega que "o dispositivo
se traduz em indexação dos gastos da União
com pessoal e encargos sociais com inequívoca repercussão
negativa sobre as contas públicas". O Ministro
Paulo Bernardo completa: "A política do governo
é conceder reajustes diferenciados por categoria".
Eles dizem que essa é a maneira de "corrigir as
distorções" e "beneficiar os salários
mais baixos". Quem eles vão enganar com essa conversa?
Será
que um ridículo reajuste de 4% para os servidores públicos,
cujo custo é de R$ 1,9 bilhão, é motivo
para toda essa alarmante "repercussão negativa
nas contas públicas"? Se fosse assim, bastaria
lembrar que o governo deu R$ 3 bilhões para os latifundiários
do "tratoraço". E para os empresários
foram mais de R$ 4 bilhões de isenções
fiscais na "MP do Bem". E para os banqueiros, são
três anos de lucros excepcionais!
Ao
contrário de vetar o reajuste da LDO, a obrigação
do governo é estender para todos os 15% que ele vai
ser obrigado a conceder aos servidores do Legislativo.
A
concentração de renda no Brasil se acentua,
montanhas de dinheiro se acumulam nos bolsos dos magnatas
de sempre. Mas não é por causa dos servidores
ou do serviço público. Muito ao contrário,
é por causa das escolhas políticas feitas pelo
próprio governo (nunca é demais lembrar que
essa é a raiz, a origem e a razão de ser do
mar de lama de corrupção, dos mensalões
e mensalinhos, que envolvem o Congresso Nacional).
Se
o governo de fato estivesse interessado em corrigir distorções,
ele já teria atendido aos anseios e reivindicações
dos servidores pela implantação de Planos de
Carreira. E, melhor ainda, decretaria imediatamente o salário
mínimo do Dieese como piso salarial da categoria. Fora
disso, o discurso da "correção das distorções"
é manobra do governo para dividir a categoria, jogar
os servidores uns contra os outros visando a manter a famigerada
"política econômica", herdada de FHC.
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