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ENCONTRO
NACIONAL DOS TRABALHADORES DO CAMPO E DA CIDADE

750 delegados, vindos de 14 estados*, nos reunimos no Encontro
Nacionaldos Trabalhadores e Jovens do Campo e da Cidade, no
dia 4 de setembro na Quadra dos Bancários em São
Paulo. Construímos este Encontro, com nosso próprio
esforço financeiro, nos sindicatos, nas mobilizações
dos trabalhadores das fábricas ocupadas, dos trabalhadores
sem terra, dos metro-ferroviários, dos servidores públicos,
dos jovens, dos movimentos de moradia, em inúmeras
outras mobilizações que lutam para por fim à
pilhagem da nação e para que possamos viver.
Apresentamos a todos os trabalhadores, às nossas
organizações, nossas conclusões.
1.Em
todo o continente americano os trabalhadores resistem à
brutal ofensiva do imperialismo para liquidar a soberania
das nações, nossas conquistas e direitos e destruir
nossas organizações. O governo Bush governa
contra os povos, inclusive o povo americano, para submeter
todos à ganância das multinacionais e do capital
financeiro e nos jogar na barbárie organizada pelos
capitalistas e suas instituições internacionais.
A
resistência da revolução venezuelana contra
as tentativas de derrubar o governo Chávez, que adota
medidas anti-imperialistas e a insurreição do
povo boliviano, demonstram o mesmo anseio e a mesma disposição
da maioria do povo trabalhador brasileiro que, em 2002, elegeu
Lula para conquistar as reivindicações e a soberania
nacional.
2.
Mas hoje uma enorme crise política, desencadeada pela
burguesia sob a máscara da corrupção,
corrói o governo e busca liquidar o PT. Como chegamos
a esta situação?
A
corrupção é filha da política
de pilhagem da nação. O objetivo do imperialismo
e da burguesia local é "Se livrar dessa raça
por trinta anos" (senador Bornhausen,PFL). Como mostram
os ataques aos sindicatos, aos movimentos, como a perseguição
ao companheiro Gegê contra sua legítima luta,
o aumento da repressão e dos assassinatos de sem terra,
o objetivo é destruir o movimento organizado dos trabalhadores
do campo e da cidade.
Destruir o PT, a CUT, os sindicatos, preservando, por enquanto,
o governo Lula que serve fielmente ao capital financeiro.
A responsabilidade pela crise é o rompimento do governo
Lula com as aspirações dos 53 milhões
que o elegeram.
Contra
o povo, o governo aplica a política do FMI para beneficiar
o capital especulativo. As fábricas fecham e Lula nada
faz. Para atender o agro-negócio, nega terra aos sem
terra. Para engordar o superávit primário, destrói
os serviços públicos. Para privatizar o ensino,
faz a reforma universitária. Para pagar a dívida
externa sangra a nação. A resistência
da
classe trabalhadora, entretanto, não permitiu até
agora a privatização da Petrobrás, do
BB, da CEF, da ECT, da CBTU, etc., apesar do governo Lula
continuar tentando quebrar esta resistência (leilão
do BEC-15/09/05, leilão de área petrolífera-outubro,
ECT e outros que continuam no PND, etc).
Nós
prosseguimos nossa luta: contra a privatização
das ferrovias que destruiu postos de trabalho e tirou o transporte
milhões de brasileiros, com nossa mobilização
derrotamos as MPs encaminhadas pelo governo Lula que liquidavam
a RFFSA. Fomos à Brasília contra a reforma da
previdência, continuamos exigindo sua revogação
e lutamos pela retirada da MP258 em defesa da previdência
pública e solidária. Exigimos que Lula estatize
as fábricas ocupadas para salvar nossos empregos. Fizemos
a grande marcha dos trabalhadores sem terra em maio pela Reforma
Agrária. Defendemos a independência dos nossos
sindicatos, defendemos a CUT, contra a reforma sindical e
contra sua divisão. Estamos com os jovens que se mobilizam
pelo passe livre estudantil e que exigem o direito à
educação. Por isso, em
defesa do ensino público e gratuito para todos os jovens,
somos contra esta reforma universitária. Com os trabalhadores
sem teto lutamos por moradia e pela reforma urbana.
De
diferentes origens partidárias, mas como trabalhadores,
comprometidos com os interesses e a independência dos
trabalhadores e de suas organizações, nos irmanamos
aos centenas de milhares de companheiros do PT que nenhuma
responsabilidade têm sobre a política do governo
Lula e com os métodos dos partidos burgueses que decorrem
desta política. Estamos juntos na defesa dos princípios
que estiveram na base da fundação do PT em 1980,
consagrados no seu Manifesto: a independência política
dos trabalhadores, a luta pela defesa dos interesses da classe
trabalhadora em todo o mundo, por uma nação
soberana e por uma sociedade igualitária sem explorados
e nem exploradores, uma sociedade socialista.
Por
isso não aceitamos que:
O
latifundiário Rodrigues, ministro da agricultura, garanta
bilhões para os fazendeiros enquanto Ministro Rosseto
explica que não tem dinheiro para cumprir a promessa
de assentar 115 mil famílias em 2005 e até hoje
assentou apenas 20 mil.
O
ministro-empresário Furlan atenda aos interesses dos
patrões, enquanto 17% de trabalhadores estão
desempregados e renda média da família trabalhadora
caiu 14% desde 2002.
O
especulador Meirelles satisfaça os interesses dos banqueiros,
que tiveram no primeiro semestre de 2005 os maiores lucros
nos últimos 5 anos, enquanto Palocci realiza o maior
ajuste fiscal nos últimos 10 anos.
Tudo
para garantir o superávit de 97 bilhões nos
últimos 12 meses (60 bilhões só no último
semestre).
É
preciso tirar do governo os ministros capitalistas e seus
partidos burgueses para conquistarmos nossas reivindicações.
Só há uma saída para a crise: colocar
para fora do governo esta política e as alianças
que a sustentam.
Nós
declaramos: pagar a Dívida Externa também é
corrupção! E exigimos do governo Lula:
-Ruptura
com o FMI e a Dívida Externa!
Somos
trabalhadores, do campo e da cidade, somos jovens que confiamos
na capacidade da nossa classe para, através de nossas
próprias organizações independentes e
de nossa mobilização, abrir uma saída
contra a tragédia que representa para toda humanidade
a preservação do sistema capitalista. Somos
trabalhadores que não se entregam à falsa possibilidade
da darmos face humana à globalização.
Os patrões, seus governos e instituições
internacionais para manter o regime da propriedade dos meios
de produção de
um lado, os trabalhadores e suas organizações
na luta pelos seus direitos e pelo socialismo no lado oposto.
Tomamos
conhecimento das resoluções da Conferência
Continental pela Estatização dos Hidrocarbonetos
(La Paz, agosto 2005) e decidimos apresentá-las às
nossas organizações nos comprometemos a organizar
no Brasil a Jornada Internacional de Mobilização,
em 17/10/05, pela Nacionalização Sem Indenização
dos Hidrocarbonetos em todos os países.
Nós
decidimos apresentar em todas nossas organizações
e também colocar nas ruas uma ampla campanha, para
exigir do governo Lula as legítimas reivindicações
que nos reuniram:
-
Contra as privatizações e pela re-estatização
das ferrovias e das empresas e serviços públicos
privatizados, anulação do 7º leilão
de petróleo e gás! Estatização
das fábricas ocupadas! Reforma Agrária Já!
Assentamento imediato de 1 milhão de famílias!
Defesa da soberania nacional e do direito à auto-determinação
dos povos, fora as tropas do Haiti!
Assim,
para organizar nossas campanhas, na luta por uma política
para os trabalhadores, pela soberania nacional, constituímos
uma Coordenação do Encontro Campo e Cidade para
a qual damos o mandato de organizar um 2º Encontro Nacional
de Trabalhadores do Campo e da Cidade.
São Paulo, 4 de setembro de 2005
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* Presentes delegações dos seguintes
estados: RS, SC, PR, SP, RJ, MG, MT, DF, GO, BA, AL, PE, CE
e
MA
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